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    13 de maio: entre a história e os mitos, abolição da escravidão reforça a necessidade de combater o racismo estrutural

    14/05/2026
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    Data marca o fim legal da escravidão no Brasil, mas também expõe desigualdades históricas que ainda impactam a população negra e o mundo do trabalho

    O 13 de maio de 1888 entrou para a história como o dia da assinatura da Lei Áurea, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil — último país das Américas a pôr fim legal ao regime escravocrata. Durante décadas, a data foi ensinada como um momento de celebração nacional. No entanto, pesquisas históricas mais recentes têm ampliado o debate e revelado que a abolição foi resultado de um processo complexo, marcado por resistência negra, disputas políticas e pressões sociais internas e internacionais.

    Hoje, movimentos sociais, pesquisadores e entidades sindicais defendem que o 13 de maio deve ser compreendido menos como uma comemoração e mais como um momento de reflexão crítica sobre o passado e, principalmente, sobre o presente das relações raciais no país.

     

    O processo que levou ao fim da escravidão

    A abolição não ocorreu de forma repentina. Ao longo do século XIX, o Brasil passou por uma série de mudanças legais e sociais que enfraqueceram o sistema escravista, como a Lei Eusébio de Queirós (1850), que proibiu o tráfico de pessoas escravizadas, a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885).

     

    Além da pressão internacional — especialmente da Inglaterra — o movimento abolicionista ganhou força dentro do país, com atuação de jornalistas, intelectuais, trabalhadores livres, militares e, sobretudo, da própria população negra escravizada, que resistia cotidianamente à exploração.

     

    Fugas, formação de quilombos, revoltas, ações judiciais por liberdade e diversas formas de resistência contribuíram diretamente para o colapso do sistema escravista.

     

     

    Mitos e verdades sobre a abolição

    A historiografia contemporânea tem revisitado narrativas tradicionais ensinadas por décadas nas escolas brasileiras. Entre os principais pontos debatidos, destacam-se alguns mitos ainda presentes no imaginário coletivo:

     

    1. A princesa Isabel aboliu a escravidão por benevolência pessoal — Mito

     

    Embora tenha assinado a Lei Áurea durante a regência, a decisão não foi um ato isolado ou exclusivamente humanitário. O Império já enfrentava intensa pressão política, econômica e social pela abolição. O movimento abolicionista crescia, a escravidão tornava-se economicamente insustentável e havia necessidade de apoio popular diante da crise do regime monárquico.

     

     

    2. Pessoas escravizadas foram passivas no processo — Mito

     

    Pesquisas históricas demonstram o protagonismo da população negra na luta pela liberdade. Escravizados recorreram à Justiça, organizaram fugas coletivas, denunciaram maus-tratos, sabotaram sistemas produtivos e formaram comunidades livres, como os quilombos. Essas ações criaram instabilidade social e aceleraram o fim da escravidão.

     

     

    3. A abolição contribuiu para a queda da Monarquia — Verdade

     

    A assinatura da Lei Áurea desagradou diferentes setores sociais. Proprietários de escravizados ficaram insatisfeitos pela ausência de indenização, enquanto militares e movimentos populares criticavam a lentidão do processo abolicionista. O Império perdeu apoio político e, no ano seguinte, em 1889, foi proclamada a República.

     

     

    4. A Lei Áurea resolveu o problema da escravidão — Mito

     

    Embora tenha extinguido juridicamente o regime escravista, a lei não previu políticas de inclusão social para a população negra libertada. Sem acesso à terra, educação, trabalho formal ou moradia, milhões de pessoas permaneceram em situação de extrema vulnerabilidade. Essa ausência de reparação histórica ajudou a estruturar desigualdades raciais que persistem até hoje.

    Inclusive, o Brasil ainda registra casos contemporâneos classificados como trabalho em condições análogas à escravidão, evidenciando permanências históricas nas relações laborais.

     

    5. A princesa Isabel aproveitou a ausência de D. Pedro II para abolir a escravidão — Mito

     

    Embora a assinatura tenha ocorrido durante a regência, o processo abolicionista já era considerado inevitável diante das pressões internas, da mobilização social e do cenário internacional. A abolição não dependeu exclusivamente da decisão individual da regente.

    Racismo estrutural e mundo do trabalho

    Memória histórica e compromisso com o futuro

    Mais de 130 anos após a Lei Áurea, o Brasil ainda convive com profundas desigualdades raciais em renda, acesso ao emprego formal, cargos de liderança e condições de vida.

    Reconhecer os mitos que cercam a abolição é essencial para compreender que a liberdade conquistada em 1888 foi apenas o primeiro passo de um processo histórico ainda em construção.

     

    Relembrar o 13 de maio, portanto, não significa apenas olhar para o passado, mas reafirmar o compromisso com políticas antirracistas, justiça social e um mundo do trabalho verdadeiramente democrático e inclusivo.

     

    FONTE: Portal da Contraf

    • Lei Áurea

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