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    Igualdade de Oportunidades: bancárias avançam em pacto com bancos pelo fim da violência de gênero

    03/03/2026
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    Em Brasília, o presidente do SEEB/SE, Adilson Azevedo é membro do Comando Nacional dos Bancários e participou da reunião   

     

    O Comando Nacional dos Bancários realizou, na tarde dessa segunda (2), em Brasília, reunião com a Federação Nacional dos Bancos para mais uma rodada da mesa de negociações permanentes “Igualdade da Mulher Bancária e de Igualdade de Oportunidades”, onde foram abordados a implementação de conquistas da categoria pelo fim da violência de gênero e por justiça de entrada e ascensão no setor.

    O presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), Adilson Azevedo é membro do Comando Nacional dos Bancários e participou da reunião.   

    Pacto pelo fim da violência

    A categoria bancária se tornou pioneira na implementação de medidas, instituídas em forma de cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que combatam dentro do banco e na sociedade a violência contra a mulher.

     

    Entre as conquistas está a que responsabilizou os bancos pela criação canais para acolher funcionárias vítimas de violência doméstica e conceder apoio para protegê-las de seus agressores.

     

    Até o final de 2025, segundo a Fenaban todos os bancos já haviam implementado seus canais. A entidade disse ainda que está em fase final de relatório, que será apresentado aos trabalhadores nos próximos dias, com os números atualizados de atendimentos e como os casos foram encaminhados.

     

    “Há anos o movimento sindical bancário se debruça sobre este tema, o que nos levou a conquistar essas cláusulas que hoje são referências para outras categoriais e também para a sociedade”, destacou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira. “Precisamos, mais do que nunca, de todas as vozes, e isso inclui o engajamento dos homens, para proteger mulheres e crianças. As mudanças para um mundo melhor só acontecerão com medidas concretas e envolvimento de todos e todas”, completou.

     

    As bancárias usaram a oportunidade do encontro para reforçar, junto aos bancos, um pacto de combate à violência contra a mulher.

     

    A categoria também pediu o aprimoramento dos canais de denúncias e apresentou casos em que não funcionaram devidamente, como no apoio às bancárias que solicitaram transferência de unidade e mudanças de regime de horário. “Inclusive tivemos demissões de mulheres que precisavam de proteção. Então, precisamos que os bancos sejam efetivos no cumprimento dessas cláusulas, uma vez que cada atendimento é uma vida que está em jogo”, explicou a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes.

     

     

    Categoria apresenta números do “Basta!”

    O movimento sindical apresentou o relatório mais recente do programa de assessoria jurídica e humanizada às mulheres vítimas de violência doméstica “Basta! Não irão nos calar!”.

     

    - 14 canais de atendimento (e mais 1 em implantação) em sindicatos localizados em todas as regiões do país;

    - 542 atendimentos, sendo 540 de mulheres vítimas de violência física, psicológica, patrimonial, moral e sexual;

    - 121 atendimentos sem ações judiciais;

    - 518 ações judiciais;

    - 313 medidas protetivas vigentes;

    - 194 ações relacionadas ao direito de família sendo 116 concluídas.

     

    "A medida protetiva é um mecanismo que ajuda a salvar vidas, porque estabelece o distanciamento dos agressores de suas vítimas. Por isso vamos seguir lutando para que o ‘Basta!’ continue crescendo no país para promover mais segurança às mulheres”, pontuou Fernanda Lopes.

     

     

    4º Censo da Diversidade

    Outra conquista da categoria bancária na última campanha nacional foi o 4º Censo da Diversidade, realizado em 2025, e que teve os dados apresentados pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) na reunião.

     

    A pesquisa teve a participação de mais de 93 mil bancários e bancárias de 35 bancos. "Ter o retrato da categoria é fundamental para direcionar as negociações e as ações sindicais”, destacou a secretária de Políticas Públicas da Contraf-CUT, Elaine Cutis.

     

    O setor permanece majoritariamente masculino, com maior redução entre mulheres brancas. Porém, ocorreu um importante avanço no aumento de pessoas negras. No 1º Censo da Diversidade, realizado em 2008, negros e negras compunham 19% do quadro de trabalhadores. O levantamento mais recente mostrou que agora o grupo responde por cerca de 33%.

     

    A categoria bancária avalia que essa expansão de negros e negras foi resposta a reivindicação para que os bancos passassem a fazer anúncios de vagas, massivamente pela internet. “Percebemos que pessoas brancas acessavam as vagas por indicação, enquanto os negros e negras, a partir de anúncios feitos pela internet ou por editais. Então, passamos a exigir que os bancos melhorassem a comunicação das vagas para ampliar as oportunidades de acesso ao setor”, explicou Juvandia Moreira.

     

     

    Mais Mulheres na TI

     

     

     

     

    O programa “Mais Mulheres na TI” é fruto da reivindicação da categoria bancária contra a forte redução da participação de mulheres no setor bancário, fenômeno que foi intensificado pelo avanço tecnológico, uma vez que, tradicionalmente, as áreas de tecnologia da informação são ocupadas por homens.

     

    Juvandia Moreira destacou na mesa que, só em 2025, o setor bancário eliminou 8,9 mil postos, sendo 63% (5,6 mil) de postos que antes eram ocupados por mulheres. Entre 2020 e 2025, dos 23,9 mil postos de trabalho fechados pelos bancos, 87% (20,6 mil) eram ocupados por mulheres.

     

    Para enfrentar o problema, em 2024, a categoria fechou um acordo para que os bancos concedessem bolsas para a capacitação de mulheres, sendo 3.000 voltadas à iniciação na área e 100 para o desenvolvimento de carreira.

     

    Na mesa desta segunda, representantes de duas escolas contratadas, Programaria e Laboratória, apresentaram o balanço do que já foi feito.

     

    Programaria:

    - 20 mil mulheres se inscreveram para concorrer às bolsas;

    - 2.500 bolsas já foram concedidas;

    - 500 estão abertas para este mês de março.

     

    Do total de mulheres contempladas, 60% são negras e indígenas; 29% mães e responsáveis legais; 34% de fora do eixo Sul-Sudeste; 6,3% pessoas trans; e 36% são da comunidade LGBTQIA+.

     

    Laboratória:

    - 101 mulheres contempladas;

    - 30% de empregabilidade pós programa, sendo 40% nos setores bancário e financeiro.

     

    “O Mais Mulheres na TI é mais um passo da categoria rumo à igualdade, porque mostra às mulheres que elas podem chegar onde quiserem, desde que tenham oportunidade e amparo social. O elevado número de inscrições aponta que temos, sim, uma demanda reprimida, de mulheres que querem ter acesso a esse mercado de trabalho. Então, que a gente consiga nesta mesa de negociação avançar ainda mais para que todas as 20 mil sejam contempladas”, destacou Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato de São Paulo, Osasco e Região.

     

     

    Comitê de gestão de crise

    A pedido dos trabalhadores, ficou acordado uma nova rodada de negociações na quarta-feira (4), para avaliar a atuação dos bancos na realização dos Comitês de Gestão de Crise, outra conquista estabelecida na CCT 2024, para acelerar ações de proteção e apoio aos trabalhadores de locais atingidos por calamidades.

     

    No início da reunião, Juvandia Moreira solicitou um minuto de silêncio por Liana Martins de Paula, bancária da Caixa, e uma das mais de 70 vítimas fatais dos desastres que atingiram a região da Zona da Mata mineira.

     

    FONTE: Portal da Contraf

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