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    3. Remuneração variável e Super Caixa são alvo de críticas em debate do 41º Conecef

    Remuneração variável e Super Caixa são alvo de críticas em debate do 41º Conecef

    18/06/2026
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    Mesa reuniu representantes do Dieese, da Contraf-CUT e da Fenae para discutir os impactos dos programas de remuneração variável sobre as condições de trabalho, a saúde dos empregados e a valorização dos resultados da Caixa

     

    Leia neste texto

    •    Debate do 41º Conecef analisou a evolução dos programas de remuneração variável na Caixa;

    •    Especialistas apontaram diferenças entre PLR, programas de resultados e premiações por desempenho;

    •    Participantes alertaram para o aumento da pressão por metas e dos riscos de adoecimento relacionados ao trabalho;

    •    Movimento sindical defendeu transparência, regras claras e valorização do trabalho coletivo;

    •    Super Caixa esteve no centro das discussões sobre remuneração variável e gestão por desempenho.

     

    Leia abaixo íntegra do texto

    A remuneração variável, os programas de metas e seus impactos sobre a saúde dos trabalhadores foram tema da terceira mesa de debates do 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), ontem, dia 18, que contou com contribuições da economista Catia Uehara, da Rede Bancários do Dieese, do secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, e do diretor de Saúde e Previdência da Fenae, Leonardo Quadros.

     

    O debate ocorreu em um momento em que os empregados da Caixa acompanham as mudanças promovidas pelo banco nos programas de remuneração variável, especialmente após a implantação do Super Caixa, que substituiu mecanismos anteriores de premiação e passou a vincular parte da remuneração a indicadores corporativos e resultados das unidades.

     

    PLR é conquista histórica e difere de programas de remuneração variável

    Ao apresentar a evolução dos modelos de remuneração utilizados pelo setor financeiro, Catia Uehara destacou que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da categoria bancária é resultado de décadas de organização e negociação coletiva, possuindo regras específicas previstas em lei e na Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários.

     

    Segundo ela, é importante diferenciar a PLR das demais formas de remuneração variável adotadas pelos bancos. “A PLR é uma conquista histórica dos trabalhadores bancários e possui regras negociadas coletivamente. Já os programas de remuneração variável e de premiação atendem a outras lógicas, normalmente vinculadas ao desempenho, às metas e a resultados definidos pelas empresas”, explicou Catia.

     

    A economista ressaltou ainda que os programas de remuneração variável se expandiram no sistema financeiro a partir dos processos de reestruturação produtiva ocorridos nas últimas décadas, acompanhando mudanças na gestão das empresas e na organização do trabalho.

     

    Para Catia, a principal preocupação dos trabalhadores deve ser garantir que eventuais programas de resultados tenham critérios transparentes, negociados e capazes de distribuir os ganhos produzidos coletivamente pelos empregados.

     

    Metas e remuneração variável ampliam pressão sobre os trabalhadores

    Na sequência, Mauro Salles abordou os impactos dos modelos de gestão baseados em metas, avaliação permanente e remuneração variável.

     

    Segundo o dirigente da Contraf-CUT, os programas não podem ser analisados isoladamente, pois fazem parte de um sistema que conecta metas, avaliação de desempenho, carreira, reconhecimento e punição.

     

    “Quando a remuneração variável é associada a metas cada vez mais elevadas, avaliações permanentes e mecanismos de vigilância, o resultado é o aumento da pressão sobre os trabalhadores. Isso intensifica o ritmo de trabalho, amplia situações de assédio e contribui para o adoecimento”, afirmou Mauro Salles.

     

    Durante a apresentação, ele destacou que os bancários normalmente não participam da definição dos objetivos que precisam cumprir e que o modelo transfere para o trabalhador responsabilidades relacionadas às condições de mercado, à estrutura das equipes, sendo que as decisões são impostas por decisões superiores, da empresa.

     

    Mauro também alertou para situações consideradas abusivas, como metas excessivas, vigilância permanente, avaliações injustas e mecanismos que penalizam trabalhadores por fatores que não estão sob seu controle.

     

    “Não é apenas o excesso de trabalho que adoece. O problema está na forma como o trabalho é organizado, medido e controlado. O adoecimento não é um acidente. Ele pode ser consequência previsível de determinados modelos de gestão”, observou.

     

    Super Caixa e a valorização dos empregados

    Ao tratar especificamente da experiência da Caixa, Leonardo Quadros recuperou a trajetória dos programas de remuneração por resultados da empresa e avaliou as mudanças implementadas nos últimos anos.

     

    Ele lembrou que a remuneração variável na Caixa passou por diferentes formatos ao longo do tempo e destacou que o debate atual precisa considerar não apenas os resultados financeiros da empresa, mas também o papel dos empregados na construção desses resultados.

     

    “O crescimento da Caixa, seus lucros e sua relevância social são fruto do trabalho de milhares de empregadas e empregados em todo o país. Qualquer programa de remuneração variável precisa reconhecer essa contribuição de forma justa, transparente e compreensível para todos”, afirmou Leonardo Quadros.

     

    O diretor da Fenae também ressaltou que o movimento sindical, a Fenae e as associações estaduais do pessoal da caixa (Apcefs) têm defendido modelos que valorizem o trabalho coletivo e reduzam mecanismos que estimulem competição excessiva entre colegas e unidades.

     

    Movimento sindical cobra transparência e negociação

    As discussões realizadas no Conecef dialogam com críticas que vêm sendo apresentadas pela representação dos empregados da Caixa desde a implantação do Super Caixa.

     

    Entre os principais pontos levantados pelas entidades estão a falta de transparência em alguns indicadores, a utilização de critérios considerados punitivos, a existência de fatores de difícil controle pelos trabalhadores e a necessidade de regras mais simples e previsíveis.

     

    A defesa das entidades é que programas de remuneração variável sejam construídos por meio da negociação com a representação dos empregados, com critérios claros, respeito ao princípio de “vendeu, recebeu”, previsibilidade dos resultados e valorização do trabalho realizado pelos empregados.

     

    Para os participantes da mesa, o debate sobre remuneração variável não pode ser dissociado da discussão sobre condições de trabalho, saúde dos trabalhadores e papel estratégico da Caixa para o desenvolvimento do país.

     

    “O desafio é construir mecanismos de reconhecimento dos resultados sem transformar a remuneração em instrumento de pressão permanente. A valorização dos empregados passa por condições dignas de trabalho, transparência e participação nas decisões que afetam seu cotidiano”, concluiu Mauro Salles.

    Fonte: Portal da Contraf

    • 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef)

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