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    Setor bancário fecha 8,9 mil postos em 2025 e contraria trajetória positiva do mercado de trabalho

    12/02/2026
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    Resultados reafirmam importância das lutas por igualdade de oportunidades e pela redução da jornada no setor

     

    O setor bancário segue reduzindo postos de trabalho, como mostra a Pesquisa do Emprego Bancário nº38, mais recente análise do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), de 2025, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

     

    Enquanto que, entre janeiro e dezembro do ano passado, o mercado de trabalho brasileiro, como um todo, apresentou a abertura de 1,28 milhão de empregos com carteira assinada, no setor bancário ocorreu a eliminação de 8.910 postos. Ao longo de 2025, somente em fevereiro houve saldo positivo, ou seja, mais admissões do que demissões no setor bancário.

     

    O Dieese aponta que esse resultado só não foi pior porque a Caixa Econômica Federal apresentou saldo positivo de 1.185 empregos no período.

     

    A redução de postos de trabalho bancário também ocorreu em quase todas as regiões do país, com ressalvas ao Centro-Oeste, puxado pelo Distrito Federal, que apresentou saldo positivo de 862 postos, devido à maior presença de bancos públicos na localidade.

     

    O rebaixamento salarial também foi identificado em 2025, com o salário médio dos admitidos (R$ 7.906) correspondendo a 91,09% da média salarial dos desligados (R$ 8.679).

     

    A análise do Dieese revelou ainda a manutenção de assimetrias de gênero, etária, racial e salarial no setor bancário, portanto:

     

    Saldo negativo de emprego superior entre mulheres, mulheres negras e homens negros, em relação aos homens não negros;

    Saldo positivo de empregos somente para as faixas etárias de até 29 anos; e

    Salário médio mensal médio de admitidos e demitidos maior para os homens não negros em relação aos demais grupos.

     

    A seguir, o levantamento do Dieese com mais detalhes:

     

    Movimentação do emprego

    Ao longo de 2025, entre admissões e demissões, o saldo no setor bancário ficou negativo em 8.910 postos. Somente os chamados "Bancos Múltiplos, com carteira comercial", ou seja, empresas como os bancos tradicionais (a exemplo de Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil), foram responsáveis por 9.138 postos fechados no setor e enquanto a Caixa Econômica foi responsável pela abertura de 1.185 postos de trabalho.

     

    Em relação à toda a movimentação, em 12 meses, o setor bancário desligou 45.381 pessoas e admitiu 36.471. Do total de desligamentos, as demissões sem justa causa representaram 56,3%, seguida das que ocorreram a pedido do trabalhador (35,9%).

     

     

    Assimetrias de gênero, raça e etária

    Do saldo negativo total (8.910), 5.667 foram entre as mulheres contra 3.243, entre os homens. As mulheres negras (pretas e pardas) representaram 14,8% entre admitidos e 13,9% dos demitidos, mas ainda assim os postos de trabalho de negras apresentaram saldo negativo (-907).

     

    Considerando todos os grupos raciais, as admissões de pessoas negras (homens e mulheres) representaram 33,9% e nos desligamentos 30,6%.

     

    Em relação à faixa etária, só houve saldo positivo nos grupos de até 29 anos (+5.638 vagas), contra o saldo negativo de 14.545 postos entre todas as demais faixas etárias.

     

    A questão de raça e gênero também é refletida na questão salarial. Em 2025, enquanto homens não negros apresentaram remuneração média de R$ 9.644 na admissão e de R$ 10.484 no desligamento, as mulheres não negras apresentaram médias salariais 43,7% (R$ 5.424) e 41,3% (R$ 6.151) inferiores aos homens não negros na admissão e no desligamento, respectivamente.

     

    TI apresenta saldo positivo de contratações no setor

    Entre todas as áreas ocupacionais do banco, a de Tecnologia da Informação (TI) foi uma das poucas com saldo positivo. Em 2025, foram 6.314 admissões e 5.469 demissões, resultando na abertura de 845 vagas. O Dieese pontua também que a contratação de homens foi predominante nesta área, correspondendo a 78,3% contra 21,7% de mulheres.

     

    Por outro lado, áreas tradicionais tiveram movimentação inversa, com destaque maior para Bancária/Financeira (fechamento de 9.277 vagas), sendo -5.420 entre mulheres e -3.857 entre os homens. Mais uma evidência do maior impacto negativo sobre o emprego feminino.

     

    No relatório, o Dieese avalia que esse aprofundamento da desigualdade de gênero no setor bancário reforça a importância a Lei de Igualdade Salarial, sancionada e regulamentada pelo Governo Federal em 2023.

     

    Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), ressalta que a medida ainda enfrenta desafios de implementação devido às resistências cultural e estrutural.

     

    "A instituição desta lei veio de uma reivindicação histórica das trabalhadoras e foi um primeiro passo, muito importante, no combate a um conjunto de fatores culturais e que normalizam, ainda hoje, a discriminação salarial de gênero e de raça”, observou. “Atualmente, o movimento sindical atua contribuindo com esta lei na conscientização e na fiscalização. Nas mesas de negociação também temos exigido que as empresas acelerem o passo para garantir paridade remuneratória entre homens e mulheres que exercem a mesma função", explicou, lembrando em seguida que a categoria bancária conquistou, na última renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o compromisso dos bancos de repudiarem a discriminação salarial e apoiarem a Lei de Igualdade Salarial.

     

    A dirigente ressaltou que o tema é objeto de debate frequente da Mesa de Igualdade de Oportunidades. "Essa mesa, conquistada pela categoria há 23 anos, é um fórum permanente por meio do qual avançamos em pautas fundamentais sobre diversidade, combate ao assédio, inclusão das populações mais vulneráveis (como trans e pessoas com deficiência), além do debate sobre igualdade salarial. O ‘Mais Mulheres na TI’, programa de capacitação e inserção de mulheres na tecnologia, por exemplo, é fruto desta mesa", completou.

     

    Até dezembro passado, o “Mais Mulheres na TI” formou cerca de 3.100 mulheres, com bolsas de estudo pagas pelos bancos, como reivindicação do movimento sindical bancário, estabelecida na última CCT.

     

    A questão dos impactos tecnológicos sobre todo o setor bancário é inclusive um tema reforçado reiteradamente pelo movimento sindical nas mesas de negociação com as empresas.

     

    “Além de negociar com os bancos a concessão de bolsas de estudos e a requalificação profissional, para que os trabalhadores acompanhem as transformações tecnológicas, também defendemos que os impactos dos avanços tecnológicos no setor podem ser assimilados positivamente, pela sociedade e categoria, com a implementação da redução da jornada”, explicou a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira.

     

    Segundo a dirigente, a jornada de quatro dias, entre os bancários que hoje realizam a jornada média de 37 horas semanais, teria o potencial de criar mais de 108 mil vagas no setor, ou 25% do total de vagas que existem atualmente.

     

    “Vale destacar que, em 2025, o lucro conjunto só dos três maiores bancos privados do país (Itaú, Santander e Bradesco) foi de R$ 87 bilhões. Ou seja, mesmo diante de recordes de lucro, continuam com o processo de fechamento de agências e enxugamento de postos de trabalho. E isso contraria a responsabilidade social que as empresas do setor bancário devem ter e que envolve práticas que beneficiem toda a sociedade e não a concentração de renda”, concluiu Juvandia.

    FONTE: PORTAL da CONTRAF

     

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