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CTB/SE e Sindicato dos Comerciários denunciam demissões e calote das Casas Bahia

Empresa alega recuperação judicial após faturar bilhões; trabalhadores demitidos sem aviso prévio e sem rescisão cobram direitos básicos

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe (CTB/SE) e o Sindicato dos Comerciários de Nossa Senhora do Socorro realizaram um protesto no Calçadão João Pessoa, no Centro de Aracaju, na última sexta-feira (4 de setembro). O ato público denunciou o descumprimento de direitos trabalhistas após o fechamento de lojas e demissões em massa no estado. Dezenas de ex-funcionários participaram da mobilização, relatando desligamentos sumários, sem aviso prévio e sem o pagamento das verbas rescisórias.

O presidente do Sindicato dos Comerciários de Nossa Senhora do Socorro, Alfredo Souza, também protestou contra o tratamento da empresa com seus empregados. “Temos trabalhadores que dedicaram 10, 12 anos de suas vidas à empresa e foram jogados na rua sem receber sequer o aviso prévio. A rede não faliu; fatora bilhões e adota essa estratégia para cortar custos sacrificando a categoria. Dizer agora que não pode pagar porque entrou em recuperação judicial é um absurdo inaceitável”, declarou.

 

O presidente da CTB/SE, Aparecido Santos, destacou que o protesto cumpre o papel de expor a conduta abusiva da empresa e exigir reparação imediata. “Estamos nas ruas para denunciar uma grave injustiça trabalhista. As Casas Bahia lucram bilhões às custas do suor da classe trabalhadora e, no momento de reestruturar suas finanças, descartam homens e mulheres sem pagar nem mesmo o que é garantido por lei. A sociedade precisa se manifestar e não permitir que a conta da crise corporativa seja transferida para o bolso dos trabalhadores. Exigimos o cumprimento imediato das obrigações legais com todos os demitidos”, afirmou.

 

Relatos de desrespeito e incerteza

Em um depoimento emocionante, uma das ex-funcionárias expressou o impacto humano dos desligamentos: “Eu tenho uma cirurgia marcada para remover um nódulo no braço, sou mãe, pago aluguel e fui demitida sem o menor respeito. Participei de tantos treinamentos onde as Casas Bahia falavam sobre valores e compromisso humano, mas fomos jogados no lixo. Estou à base de remédios, em crise de nervos, sem saber como vou sustentar minha família”.

A trabalhadora Alexsandra Batista, que atuava em uma das unidades da capital, garantiu que nenhum valor relativo à rescisão foi depositado aos demitidos. “A empresa convocou uma reunião de última hora para anunciar o fechamento das lojas e o desligamento de todo mundo. Como muitos colegas haviam optado pelo saque-aniversário do FGTS, o saldo restante ficou bloqueado. Sobrou para a gente apenas o seguro-desemprego, pois a rescisão das Casas Bahia está totalmente presa. Não estamos pedindo favores, estamos lutando apenas pelo que é nosso por direito”, pontuou.

 

Demissões em massa e recuperação judicial

Alegando um plano de reestruturação, o Grupo Casas Bahia encerrou as atividades em 298 lojas pelo país, resultando na demissão de cerca de 1,9 mil funcionários. Em Sergipe, o corte atingiu unidades estratégicas: no município de Nossa Senhora do Socorro, 35 comerciários foram afetados pelo fechamento da loja do Shopping Prêmio. Lojas nos Shoppings Jardins e Riomar, em Aracaju, e no município de Lagarto também encerraram as operações.

A companhia confirmou ter protocolado um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Para as entidades sindicais, a medida não pode servir de escudo para congelar verbas de caráter alimentar. A mobilização da CTB/SE e do Sindicato de Socorro chamou a atenção da sociedade sergipana para a precarização das relações de trabalho e reafirmou que a luta continuará nas ruas e na Justiça Trabalhista.

 

Por Ascom da CTB/SE