Rádio Resistência

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26/03/2020

É preciso lucidez para salvar vidas e acabar com o coronavírus com mais rapidez

or Marcos Aurélio Ruy
Está clara a incapacidade de Jair Bolsonaro para exercer o cargo da Presidência da República em qualquer situação, imagine então numa situação d
e pandemia viral. Além de não tomar nenhuma medida para conter o novo coronavírus, Bolsonaro exorta o povo a sair do isolamento social proposta pela Organização Mundial da Saúde.
A presidente já ultrapassou todos os limites de sua própria insanidade. Suas falas são sempre contra a prevenção de vidas. Não dá mais. Ou o Brasil tira Bolsonaro do cargo mais importante do país ou a situação pode ser catastrófica além de todas as contas.
O Congresso Nacional está chamado a exercer o papel que o presidente não faz. É necessário pensar nos 210 milhões de brasileiros e brasileiras. Há urgência em devolver a Medida Provisória (MP) 927 que pode se transformar num rolo compressor de mortes porque visa proteger apenas o patrimônio dos mais ricos e não faz nada para proteger quem vive do trabalho e, pior ainda, os que estão sem emprego ou em trabalho precário.
Tem circulado pelas redes sociais a proposta de criação de um imposto de 3% sobre os 206 bilionários existentes no país, que respondem por uma fortuna calculada em R$ 1,2 trilhão, a arrecadação com isso seria de R$ 36 bilhões, superior a 1/3 de todo o orçamento do Ministério da Saúde e mais que o orçamento anual do Bolsa Família, que o governo federal corta beneficiários. Além disso, se o país taxasse os 1% mais ricos poderia arrecadar mais R$ 80 bilhões, como noticiou o Portal Vermelho. 
Até o momento, os dirigentes políticos falam em sacrifício de trabalhadoras e trabalhadores do setor público, pensando em redução de salários. Poucos defendem a taxação de grandes fortunas, mas sem essa taxação tudo pode degringolar. Cobrar imposto dos mais ricos não os prejudicará em nada e poderá beneficiar milhões de pessoas.
É preciso pensar nos mais pobres e planejar o combate ao coronavírus em favelas, aldeias de povos indígenas, promover o isolamento social adequadamente e procurar os remédios que têm apresentado resultados como os de Cuba e China. É preciso comprar mais testes para testes em massa como fez a Coreia do Sul com resultados extraordinários para vencer a Covid-19.
Vários governos vêm, tomando medidas em favor dos mais pobres. Na França, o governo suspendeu o pagamento das taxas de água, luz e gás e estatizou provisoriamente muitos hospitais. O presidente da França, Emmanuel Macron reconheceu publicamente inclusive a falência do projeto neoliberal e prega mudanças profundas no capitalismo.
O historiador Eric Hosbawm, em seu livro Como Mudar o Mundo, afirma que o capitalismo não tem solução para a humanidade, aliás, “o capitalismo é o problema”. Os acontecimentos comprovam essa afirmação com muita clareza.
Inclusive a mídia, elogiada por uns, tem feito o papel torpe de sempre. Tem analista dizendo que a pandemia evidenciou um “mau individualismo”, como se existisse um bom individualismo, numa tentativa de amenizar os efeitos de suas críticas ao projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho e combate à pobreza.
É preciso pôr de ponta cabeça as ideias de meritocracia e empreendedorismo. Essas questões só seriam válidas em uma sociedade com possibilidades iguais para todos e todas. E o Brasil é um dos países mais concentradores de riqueza.