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Formação Sindical da CTB reúne em Sergipe 172 lideranças para debater conjuntura e direitos

Auditório repleto marca o início do curso que prepara a classe trabalhadora para os desafios eleitorais e sindicais de 2026

Com auditório lotado, cerca de 200 dirigentes de 30 entidades sindicais de Alagoas, Bahia e Sergipe estão em Aracaju (SE) participando do Curso de Formação Sindical do Nordeste 2026. A atividade foi organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e pelo Centro Nacional de Estudos Sindicais (CES). O curso acontece hoje e amanhã, 14 e 15 de março, na sede do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE).

Entre os temas, o professor e advogado José Geraldo Santana Oliveira abordou "Direitos Trabalhistas e Sindicais" e "Direitos Previdenciários". Já o presidente da Federação dos Metalúrgicos da Bahia e diretor do CES, Aurino Pedreira, expôs sobre "Gestão Sindical Classista".

O presidente da CTB/SE, Aparecido Santos, celebrou a participação e reforçou a necessidade de manter a formação sindical como um processo contínuo. "É indispensável, mesmo para os dirigentes com décadas de experiência, pois permite uma compreensão profunda da sociedade e prepara as lideranças para os desafios cotidianos da luta, incentivando o estudo da história do movimento e a atualização frente às constantes transformações do mundo do trabalho", destacou Aparecido.

Na abertura do evento, o presidente do SEEB/SE, Adilson Azevedo, saudou os dirigentes de Sergipe e dos estados vizinhos. "O curso de formação é fundamental para ajudar os dirigentes a se capacitarem para enfrentar os desafios impostos pela conjuntura atual e, muitas vezes, problemas históricos que se aprofundam e parecem quase intransponíveis. A formação política e a capacitação no campo trabalhista fortalecem a atuação sindical, permitindo contrapor as injustiças do capital e defender, com firmeza, os interesses da classe trabalhadora frente aos empregadores".

 

Visão Estratégica e consciência de classe

Aurino Pedreira afirmou que o CES, instituição organizadora da formação, previa a inscrição de diversas categorias e que a maior preocupação dos participantes é o atual momento político. "Há uma grande perspectiva sobre o processo eleitoral que se aproxima e o papel do dirigente, da organização sindical e das centrais nesse momento decisivo. Entendemos que existe uma ansiedade dos trabalhadores em encontrar respostas. O que poderemos fazer? Como devemos agir em cada categoria? Claro que a luta e a preservação dos direitos são importantes, mas a prioridade hoje é entendermos que o momento exige consciência da classe trabalhadora para identificar que o país não vive apenas uma troca de cargos, mas uma mudança de rumo. Qual política social e jurídica será implantada? Quem são esses representantes? É preciso que a classe trabalhadora tenha clareza de que é necessário votar em uma representação que reconheça os direitos, o adoecimento no trabalho e a proteção social, para que isso sirva aos que trabalham e também ao social — para aqueles que não tiveram opção de emprego e que, na velhice ou necessidade, consigam uma resposta do governo através de uma ação social".

A representante do CES, Inalba Fontenelle , destaca outro aspecto revelador relativo à formação sindical que se refere à política de reconstrução do que foi perdido com a reforma trabalhista. "Muitos direitos foram retirados e isso não penaliza apenas o trabalhador, penaliza o país, porque atrasa a cidadania e o amparo social. Dentro disso, temos as questões da terceirização, pejotatização e outros pontos que têm impacto direto, principalmente na Previdência Social. É preciso revermos que a Previdência não é um bem individual, é um bem social. A luta que hoje tenta jogar os trabalhadores contra o regime da CLT serve justamente para justificar a falta de amparo e de respeito aos direitos".

 

O Papel do Movimento Sindical nas Eleições

Com 74 anos de idade, o professor José Geraldo declarou-se encantado com o engajamento dos sindicalistas: "Esta formação específica é essencial. Eu a resumiria em uma palavra: espetacular. Temos aqui 30 entidades sindicais de três estados distintos, com 172 inscritos. Isso é uma demonstração inequívoca de que o movimento sindical está atento aos desafios que a vida impõe e sabe que, sem formação, não é possível enfrentá-los. Amanhã completo 42 anos de magistério e estou encantado com o grau de consciência e a qualidade dos questionamentos apresentados aqui".

Sobre o momento atual, o professor foi enfático ao defender a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. "Tenho 74 anos e já vivenciei muitos momentos políticos. Sem dúvida, este é o mais desafiador, porque a eleição presidencial será um plebiscito. Vamos escolher se queremos a ordem democrática, o Estado Democrático de Direito e a justiça social — representados por Lula — ou se queremos o fascismo. Qualquer candidato da direita, seja Flávio Bolsonaro ou outros, representará um retrocesso de pelo menos um século. Quem gosta de democracia somos nós, os trabalhadores. O capital apenas a tolera quando não tem alternativa; se puder, ele a evita, pois não quer trabalhadores conscientes. O movimento sindical teve papel fundamental em 2022 e espero que saia às ruas novamente. Os sindicatos não podem ter medo: dizer sim à democracia é dizer sim à reeleição de Lula".

Participação do Fisco Estadual

Uma comitiva do Sindicato do Fisco de Sergipe (SINDIFISCO/SE) participou da formação. O presidente da entidade, José Antônio, ressaltou a importância do preparo intelectual: "O sindicalista tem que ter o preparo de entender o mundo e a gestão sindical. Este curso prepara o dirigente para conduzir o sindicato da melhor forma, tanto administrativamente quanto na visão política de como funciona a sociedade. O professor José Geraldo mostrou uma experiência vasta; é a pessoa certa para trazer esse ensinamento", afirmou José Antônio.

Por Déa Jacobina Ascom do SEEB/SE