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Sindicato dos Bancários faz ato contra a pressão por metas abusivas no Itaú
Das instituições financeiras instaladas em Sergipe, o Itaú foi escolhido para marcar o dia mundial de combate ao adoecimento no trabalho
Na capital sergipana, o Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) e Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB/SE) fizeram um ato em frente à agência do Itaú, para marcar o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho e Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho (28/04).
Das instituições financeiras instaladas em Sergipe, o Itaú foi escolhido para marcar a data, segundo os dirigentes sindicais, em decorrência de denúncias frequentes de assédio moral de pressão por metas, ameaça de demissões, constrangimento público, por parte de gestores do banco. Esta semana, a direção do SEEB/SE encaminhou um comunicado ao Itaú solicitado averiguação das denúncias, bem como a adoção de medidas capazes de coibir comportamentos abusivos por parte de gerentes do banco.
No ato desta sexta-feira (28/04), a presidenta do SEEB/SE, Ivânia Pereira foi enfática: “esperamos que a direção do banco nos dê uma resposta e que faça uma correção dessas atitudes assediadoras antes de chegar a próxima denúncia, do contrário, vamos começar a fechar agências do Itaú em Sergipe”.
“O assédio moral é um tipo de acidente de trabalho, que atinge em especial a saúde mental do trabalhador. Com instabilidade mental, o trabalhador não consegue fazer um bom atendimento aos clientes e também levará problemas à própria família dele”, afirmou Ivânia Pereira.
Para o presidente da CTB/SE e funcionário do Itaú, Adêniton Santana, as denúncias de assédio moral, pressão por metas abusivas vêm ocorrendo em todos os bancos. Mas, segundo Adêniton, no Itaú a frequência tem se destacado. “As metas de um modo geral fazem parte de nossas vidas, assim como os estímulos, para que as pessoas cumpram os objetivos a serem alcançados. O que o sindicato está combatendo é a prática de assédio, são as pressões exercidas pelos gestores para garantir o atingimento de metas. Isso é assédio moral, é crime e adoece mentalmente os trabalhadores. E é por isso que o sindicato tem de intervir junto aos bancos”, explica Adêniton Santana.
SAIBA MAIS
Adoecimento e morte
De 2012 a 2021, 42.138 bancários e bancárias receberam benefício acidentário do INSS e outros 156.670 foram afastados por doença comum. Porém, cerca de 54% destes benefícios comuns referiam-se a doenças características do trabalho bancário, como transtornos mentais e LER/Dort. Os dados são do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, compilados pelo Dieese.
Transtornos mentais
Desde 2013, transtornos mentais e comportamentais se tornaram a principal causa de afastamentos na categoria bancária. De 2012 a 2021, no conjunto total dos trabalhadores, transtornos mentais foram responsáveis por 5% dos afastamentos por acidentes de trabalho e por 10% dos decorrentes de doenças comuns.
No mesmo período, porém, no setor econômico que inclui bancos e financeiras, causaram 39% dos afastamentos por acidentes e doenças do trabalho e 29% dos não reconhecidos como acidente ou doença do trabalho.
Por Déa Jacobina, Ascom do SEEB/SE