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Encontro das Bancárias evidencia avanços e desafios da luta por igualdade e contra as violências
Com a peça teatral “Sexo Frágil”, bancárias de Sergipe iniciam debate sobre o impacto do machismo no ambiente de trabalho e no lar*
Uma tarde de diálogos urgentes sobre os avanços e desafios da luta contra o assédio e a violência marcou o 3º Encontro das Bancárias de Sergipe. Logo na abertura, a esquete teatral “Sexo Frágil” evidenciou o atraso civilizatório representado pelos estereótipos sociais e pelas difíceis realidades enfrentadas pelas trabalhadoras, tanto no ambiente profissional quanto na vida doméstica. Apesar do impacto causado pelos dados de violência, as cenas reforçaram a importância de dar luz a temas tão sensíveis.
Na mesa solene, os dirigentes do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB-SE), Rosângela de Jesus (secretária da Mulher) e Adilson Azevedo (presidente), deram as boas-vindas e destacaram o protagonismo da categoria na abordagem desses temas.
Rosângela afirmou que, embora o tema seja árduo, as bancárias nunca cruzaram os braços. “Nossa categoria é protagonista na formulação de estratégias para combater as violências contra as mulheres. Se hoje temos direitos, é porque nos articulamos nacionalmente, o que permitiu conquistas históricas em nossa Convenção Coletiva (CCT), como cartilhas de conscientização e mesas de negociação. Mas ainda somos sub-representadas nos espaços de poder político e sindical; precisamos avançar”, pontuou.
Adilson Azevedo afirmou que “a luta contra os assédios moral e sexual e à violência de gênero é urgente e inadiável. Não há mais espeços relativizar ou minimizar essas práticas. É preciso adotar postura firme. Tolerância zero com qualquer forma de assédio”.
O debate contou com a participação da promotora pública aposentada Adélia Moreira Pessoa; da diretora de Gênero da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase), Nancy Andrade; e da economista do Dieese/SE, Flávia Rodrigues. Das representações feministas estavam no evento Pureza Sobrinha (UBM/SE); Jéssica Nascimento(CEDM); Fernanda Sanane (CTB/SE) e Maria Atanásia (Sintrase).
A distância entre a lei e a realidade
A primeira palestra, conduzida por Adélia Pessoa, trouxe reflexões sobre o abismo entre a legislação e o cotidiano das brasileiras. Para a jurista, embora o Brasil possua normas avançadas, a implementação prática é o grande entrave. "É impressionante como as leis brasileiras são modernas, mas o cumprimento deixa a desejar", afirmou. Adélia alertou sobre o papel da comunicação, explicando que a forma como crimes de feminicídio são veiculados pode gerar um "efeito manada". Ela instigou o público a refletir sobre a responsabilidade individual no combate à violência doméstica, lembrando que, enquanto homens morrem majoritariamente em conflitos na esfera pública, as mulheres são vitimadas dentro de casa.
Para a palestrante, a violência de gênero exige o engajamento masculino e a desconstrução da cultura de que o trabalho doméstico é obrigação exclusiva da mulher. Ao finalizar, reforçou que todo espaço social — inclusive o sindical — é propício para enfrentar esse problema estrutural.
Mercado de trabalho: avanços e desafios
A economista Flávia Rodrigues evidenciou que persistem desigualdades estruturais de gênero e raça no setor financeiro. “A remuneração das bancárias é, em média, 18,6% menor que a dos homens. A desigualdade é ainda mais intensa no recorte racial: mulheres pretas recebem até 37,7% menos que homens brancos no setor. Mesmo quando ocupam cargos de liderança, elas ganham 25% menos”, informou.
Atuação dos sindicatos
Encerrando as reflexões, Nancy Andrade abordou as conquistas da CCT e o suporte institucional dos sindicatos. Ela destacou que o movimento bancário nacional intensificou o enfrentamento ao feminicídio com seminários estratégicos.
“Em 2025, os dados nos deram um choque de realidade: 27 milhões de mulheres declararam já ter sofrido violência doméstica no Brasil. Em 70% dos casos, o agressor é o próprio companheiro. Isso não é apenas um problema policial; é um atraso civilizatório cujas marcas entram no banco conosco. Quase metade dessas mulheres relata queda na produtividade ou absenteísmo em decorrência da violência”, afirmou Nancy, que também elogiou a intervenção artística: “O teatro trouxe à tona estereótipos que causam repulsa, mas que são o reflexo do que muitas já passaram”.
Por Déa Jacobina ASCOM do SEEB/SE
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