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Comando Nacional propõe “Pacto pela Saúde dos Bancários” para frear explosão de doenças mentais
O presidente do SEEB/SE, Adilson Azevedo, participou da rodada de negociações em São Paulo, onde o movimento sindical denunciou a relação direta entre as metas abusivas e o alarmante aumento de afastamentos por transtornos mentais na categoria
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários se reuniu nesta quinta-feira (15) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na mesa de Negociação Nacional Permanente sobre Saúde. Membro do Comando Nacional, o presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), Adilson Azevedo, viajou a São Paulo para participar diretamente da rodada com a Fenaban, reforçando a mobilização da categoria e a interlocução do estado de Sergipe nos debates de relevância nacional.
Os casos de afastamento acidentário por saúde mental no setor financeiro aumentaram de 9,3% para 20% entre 2012 e 2024 — o maior crescimento registrado no país entre todos os setores econômicos. Considerando apenas o subsetor bancário, os transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários em 2024, enquanto as LER/DORT (doenças relacionadas a movimentos repetitivos e esforço excessivo no trabalho) representaram 20,3%.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, reforçou que os altos níveis de afastamento no setor financeiro estão diretamente ligados a um modelo de gestão adoecedor, baseado na pressão por resultados e em metas exageradas de difícil cumprimento.
"Esses dados do INSS, obtidos com base em informações da plataforma Smartlab, confirmam que o padrão de afastamentos por adoecimento, antes restrito aos bancários, difundiu-se por todo o ramo financeiro. Isso está ligado aos efeitos colaterais de um ambiente organizacional com metas abusivas, que sobrecarregam o trabalhador e estimulam a rivalidade, em vez de uma colaboração saudável”, ponderou Juvandia.
A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, completou que, mais do que dinheiro no bolso, "os trabalhadores querem qualidade de vida e bem-estar. Isso não está sendo possível por causa das condições atuais de trabalho, da gestão por metas abusivas, da sobrecarga e da hipervigilância", pontuou.
Reivindicações dos trabalhadores
O Comando Nacional reivindicou formalmente:
Levantamento das causas dos afastamentos: que os bancos forneçam os dados epidemiológicos e os documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
Combate aos fatores de riscos psicossociais: fim das metas abusivas, da sobrecarga de trabalho, do assédio moral, da hipervigilância algorítmica, entre outras práticas de gestão nocivas.
O movimento sindical também propôs um "Pacto pela Saúde", baseado nas normas vigentes, que inclui:
A participação dos trabalhadores na implementação da NR-1, que obriga as empresas a gerenciarem os riscos psicossociais relacionados ao trabalho — como sobrecarga, pressão por metas, conflitos e assédio moral — para prevenir o Burnout e outras doenças mentais.
O cumprimento estrito das NRs 17 e 7, que já estão em vigor: a primeira determina que o trabalho deve se adaptar às condições psicofisiológicas dos trabalhadores, enquanto a segunda estabelece a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico precoce de agravos relacionados ao trabalho.
Metas negativas
O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, destacou que os sindicatos vêm registrando as chamadas “metas negativas”. Elas ocorrem quando o trabalhador é punido com o descomissionamento da remuneração variável ou com advertências caso, por exemplo, um cliente desista de um produto após ter fechado a contratação.
"A categoria bancária não tem mais perspectiva de carreira. Sente-se pressionada pelo medo do fechamento de agências, perda de empregos, descomissionamentos e metas negativas e, quando adoece, não é acolhida. Tudo isso contribui para o agravamento dos riscos psicossociais", explicou.
Por fim, Salles denunciou o crescimento de casos em que trabalhadores afastados por orientação médica são convocados para avaliação por médicos do próprio banco, sofrendo pressão para retornar ao trabalho antes do fim do período de tratamento. “Além de irregular, essa prática tem sido um dos grandes problemas enfrentados pelos trabalhadores para acessar os benefícios do INSS, impedindo-os de ter o tempo necessário para a recuperação”, destacou.
Socorro adequado pelos bancos
Na mesa de negociação, Juvandia Moreira citou o caso de uma bancária do Banco do Brasil em uma agência de Ji-Paraná (RO). Ao sofrer uma crise aguda de ansiedade no local de trabalho, em vez de ser socorrida pelo banco e encaminhada a uma unidade de saúde, a empresa apenas comunicou um familiar para que comparecesse à agência.
Foi cobrado dos bancos que, em situações como essa, a empresa cumpra a sua responsabilidade legal de prestar imediatamente o socorro adequado ao trabalhador para, somente depois, comunicar os familiares.
Resposta da Fenaban e encaminhamentos
A Fenaban aceitou discutir a NR-1 com os trabalhadores, assim como as demais reivindicações apresentadas, no primeiro encontro da Campanha Nacional Unificada das bancárias e dos bancários, prevista para começar entre o final de junho e o início de julho. Com isso, a Saúde será o primeiro tema da série de encontros para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.
“Não queremos negar a responsabilidade dos bancos com o cumprimento da NR-1; pelo contrário, queremos que as empresas assumam e cumpram as normas com a participação ativa dos trabalhadores”, destacou Mauro Salles.
Por outro lado, na questão da convocação de bancários em licença médica para validação de atestados por médicos da empresa, a Fenaban abriu divergência e insistiu na manutenção da prática.
Sobre este ponto, Mauro Salles rebateu firmemente, lembrando que os bancos não têm prerrogativa de peritos e que o INSS é a única entidade legalmente qualificada para identificar e atestar se um trabalhador deve ou não permanecer afastado.
ASCOM do SEEB/SE com FONTE do Portal da Contraf