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Nova direção do Sindicato dos Bancários de Sergipe toma posse em ato representativo
Executivos de bancos públicos, autoridades políticas, lideranças sindicais e advogados trabalhistas prestigiam a solenidade festiva do Sindicato dos Bancários de Sergipe
A posse festiva da nova direção do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) foi marcada pela presença de autoridades de instituições financeiras e públicas, escritórios de advocacia. Além de lideranças sindicais do estado, prestigiaram o evento representações da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeeb-Ba/Se) e comitivas de sindicatos da Bahia e de Feira de Santana.
Eleito em 11 de fevereiro para a gestão 2026-2030, o presidente do SEEB/SE, Adilson Azevedo, ao lado dos novos dirigentes, foi ovacionado pelo público.
A solenidade seguiu com a execução do Hino Nacional e do Hino de Sergipe. Em seguida, as autoridades presentes fizeram breves pronunciamentos, nos quais exaltaram o pioneirismo sindical do SEEB/SE e renderam homenagens à sua trajetória histórica de 92 anos de lutas e conquistas.
Homenagem especial
Mantendo a tradição do sindicato de reverenciar suas lideranças, durante a noite da posse, a nova gestão homenageou a ex-presidenta Ivânia Pereira com uma placa de homenagem e um vídeo institucional destacando a trajetória política da primeira mulher bancária a ocupar o cargo máximo da entidade sindical.
Hoje aposentada pelo Banese, Ivânia Pereira atua na Secretaria Nacional de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Logo após a homenagem, Adilson Azevedo fez um discurso emocionante falando sobre as perspectivas da nova gestão. Ele pautou sua fala na força do coletivo e na rejeição à individualidade na gestão sindical. O dirigente fez um forte diagnóstico dos desafios atuais da categoria, denunciando os lucros recordes dos bancos em contraste com as metas abusivas, o assédio moral e o consequente adoecimento mental dos trabalhadores. Ao abordar o avanço tecnológico e a chegada da inteligência artificial, Azevedo assegurou que o sindicato não teme a modernização, mas combaterá firmemente o uso da tecnologia como pretexto para precarizar o trabalho ou eliminar empregos. Por fim, o presidente reafirmou a natureza classista da entidade ao declarar apoio à PEC pelo fim da escala 6x1 e convocou a base para a união diante de uma Campanha Nacional que exigirá forte mobilização e enfrentamento ao poderio econômico do setor financeiro.Veja na íntegra e abaixo a intervenção do presidente eleito e empossado para a gestão 2026-2030.
Presenças
Das instituições financeiras, estavam presentes: Marco Antônio Queiroz (presidente do Banese); Francisco Estrela Dantas Neto (superintendente estadual de Rede da Caixa Econômica Federal); e Felipe Lemos (representando a Superintendência Estadual do BNB).
Prestigiaram o evento, ainda: Cláudio Caducha (superintendente Regional do Trabalho); Andreia Sabino Macedo (Feeebbase); Adelmo Andrade (Sindicato dos Bancários da Bahia); dirigentes do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana; Edival Gois (presidente do PCdoB); Aparecido Santos (presidente da CTB); médica Cátia Justo (UFS); José Antônio (Fórum dos Sindicatos dos Servidores Públicos de Sergipe e presidente do SINDIFISCO); o vereador Milton Dantas; Maria da Pureza Sobrinha (presidenta da UBM); Flávia Rodrigues (Dieese/SE); Alfredo Sousa (Sindicato dos Comerciários de Nossa Senhora do Socorro); Antônio de Góis (Apabanese); Valtênio Lima (Sergus/Banese); Luís Alves (Conad/Banese), Ederton Barreto (Agecef/SE); João Ricardo (Fenag/Contec); Thenisson Marcell (Clube do Banese) e Flávia Ribeiro (UJS/SE).
Também estavam representantes dos escritórios Fernandes Advogados; Martins e Nunes; Oficina Jurídica; Jane Tereza e Advocacia Operária.
Por Déa Jacobina Ascom do SEEB/SE
LEIA NA ÍNTEGRA DISCURSO DE POSSE – Adilson Azevedo
Senhoras e senhores, boa noite!
Fiquem todos muito à vontade.
Ninguém chega a lugar nenhum sozinho, especialmente no patamar de responsabilidade em que hoje nos encontramos. Assim penso. Por isso, para iniciarmos nossa fala, agradecemos a toda a categoria bancária, razão maior de tudo isso.
Agradecemos a vocês aqui presentes; às nossas assessorias jurídicas: Dra. Jane Thereza, Dr. Denis, Dr. Charles, Dr. Miguel Ângelo, Dr. Breno, Fernandes Advogados (nas pessoas do Dr. Marcos e do Dr. Thiago) e Advocacia Operária (em nome das nossas advogadas Dra. Meivone e Dra. Lana); ao DIEESE, em nome de nossa supervisora técnica, Flávia Rodrigues; às nossas parcerias com as associações de aposentados, como a APABANESE (aposentados do Banese), a AFABB (Associação de Aposentados do Banco do Brasil), a AABNB (Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Nordeste), a UNEI e a AEA (Aposentados da Caixa Econômica Federal); e também os nossos agradecimentos aos clubes da categoria que são nossos parceiros no esporte, no entretenimento e na cultura: APCEF, AABB e Clube do Banese.
Agradecemos a toda a diretoria da gestão que encerrou o mandato no último dia 19 de maio e, principalmente, à diretoria que hoje inicia essa caminhada para o mandato 2026-2030, bem como aos funcionários de nossa entidade.
Mas, senhoras e senhores, também há mais uma razão que possibilitou estarmos aqui. Por isso, dedico este ato de posse à minha mãezinha, Maria Áurea, que hoje já se encontra em outra dimensão; à minha esposa, Sueli; aos meus filhos, Caio e Filipe; e à minha irmã, Professora Rosália, com quem aprendi literalmente o alfabeto e a ler. Sem essa motivação, e sem o seu olhar de irmã-mãe, tenho certeza de que não estaria aqui agora.
Enfim, vamos ao discurso — e prometo ser breve.
Senhoras e senhores, é com muita alegria, honra e, acima de tudo, senso de responsabilidade que assumo a presidência do nosso sindicato para o mandato de 2026 a 2030.
Quero começar afirmando algo em que sempre acreditei e, por isso, repito: ninguém constrói nada sozinho. Nunca foi e jamais será minha pretensão fazer uma gestão individualizada. A força da nossa direção estará exatamente na coletividade, na unidade e na participação de todos e todas. Faremos uma gestão organizada, democrática, presente e comprometida em fortalecer ainda mais o nosso sindicato na vida de cada bancário e bancária.
Vivemos tempos profundamente desafiadores. Os bancos seguem batendo recordes históricos de lucro, enquanto aumentam a pressão por metas, o assédio moral, a cobrança abusiva e a sobrecarga sobre os trabalhadores. Enquanto poucos acumulam bilhões, muitos adoecem silenciosamente dentro dos locais de trabalho. Essa é uma realidade que não aceitaremos naturalizar.
Já enfrentamos grandes transformações no setor bancário. A digitalização avançou rapidamente, as agências foram reduzidas, milhares de postos de trabalho desapareceram e, agora, a inteligência artificial chega com força ao mundo do trabalho. Não temos medo da tecnologia. O que não aceitaremos é que ela seja utilizada para retirar direitos, eliminar empregos, desumanizar as relações de trabalho ou precarizar ainda mais a vida da categoria bancária.
Vamos enfrentar esse cenário com consciência, preparo, formação e, principalmente, organização coletiva. Porque não existe conquista sem mobilização. Não existe respeito sem enfrentamento. E não existe sindicato forte sem uma base organizada, consciente e unida.
Tenho muito orgulho da nossa categoria. Uma categoria que resiste, luta e não se curva diante das injustiças. E é com esse espírito que seguiremos defendendo cada bancário e cada bancária, em cada agência, em cada departamento, em cada local de trabalho deste estado.
Quero ter saúde, firmeza, equilíbrio e disposição para honrar essa missão. Quero estar presente, ouvir nossa base, agir quando necessário e jamais me omitir diante das injustiças.
O mundo vive tempos difíceis, marcados por guerras, conflitos e intolerâncias que preocupam toda a humanidade. Que jamais tenhamos uma nova guerra mundial. Mas a nossa luta cotidiana é aqui. É a luta contra a retirada de direitos. Contra o assédio moral organizacional. Contra a exploração desenfreada. Contra o adoecimento físico e mental da classe trabalhadora. E pela valorização de quem produz a riqueza deste país.
Este ano teremos a renovação de nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e dos Acordos Coletivos de Trabalho Específicos por Bancos (ACTs), e já vislumbramos uma campanha muito difícil, de muito debate e enfrentamento ao poderio econômico dos bancos. Será um ano atípico, com a Campanha Nacional dos Bancários trazendo todas as suas peculiaridades. Vivemos uma realidade marcada pelo adoecimento da categoria e pelos afastamentos por incapacidade decorrentes das metas abusivas impostas pelos bancos, que deixam trabalhadores e trabalhadoras acometidos por transtornos mentais, burnout e diversas outras doenças relacionadas ao trabalho. Mas, como já dissemos: vamos enfrentar e combater.
E, em meio à nossa campanha, teremos também o nosso forró sergipano, que é diferenciado e dura praticamente 60 dias, além da Copa do Mundo e das eleições gerais. Falando em eleições, é extremamente importante sabermos quem está e sempre esteve ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras deste país.
Nós somos uma categoria que possui jornada de 30 horas semanais e escala 5x2, e sabemos que foi com muita luta e enfrentamento que as conquistamos. Ainda assim, estamos na luta em defesa de toda a classe trabalhadora, apoiando a PEC que põe fim à escala 6x1, garantindo dignidade, respeito e humanização aos trabalhadores e trabalhadoras — especialmente às mulheres que, além da jornada laboral, ainda enfrentam uma segunda jornada em suas casas. Achar que apenas um domingo de descanso é suficiente é algo desumano, cruel e que remete à lógica da exploração extrema do trabalho.
Por isso, nosso sindicato, por ser classista e comprometido com a defesa da classe trabalhadora, estará unido na luta pelo fim da escala 6x1 e pela construção de uma sociedade mais justa para todos e todas. Seguiremos firmes na defesa da democracia, da justiça social, do emprego digno, da igualdade de oportunidades e do respeito à classe trabalhadora.
Nosso sindicato já construiu uma história marcada por resistência, coragem e importantes conquistas. E não nos faltarão vontade política, compromisso e disposição para seguir avançando. Assumimos hoje essa responsabilidade com humildade, mas também com coragem, sabendo que os desafios serão grandes, mas que a nossa unidade será ainda maior.
"Que nunca nos falte coragem para lutar, unidade para resistir e esperança para seguir construindo, com as próprias mãos, um futuro mais justo para cada bancário e bancária deste país."
"Somos mãos que contam moedas,
mas também sonhos e esperança.
E quando a categoria se levanta unida,
nenhum banco é maior que nossa força."
Muito obrigado pela confiança.
E vamos à luta!