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Saúde Caixa, saúde mental, metas e inclusão marcam debates do 41º Conecef
O segundo dia do 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef) foi marcado por debates sobre temas centrais para os trabalhadores: a sustentabilidade do Saúde Caixa, os impactos das metas e da remuneração variável sobre a saúde dos empregados, os riscos psicossociais no ambiente de trabalho e a inclusão de pessoas autistas.
Na mesa sobre Saúde Caixa, a economista Hyolitta Costa de Araújo, do Dieese, apresentou dados que apontam os efeitos negativos do teto de custeio de 6,5% imposto ao plano de saúde dos empregados. Segundo ela, a limitação da participação da Caixa no financiamento transfere cada vez mais custos aos beneficiários e coloca em risco a sustentabilidade do plano no longo prazo. A defesa do modelo solidário e do pacto intergeracional foi destacada como fundamental para a preservação do Saúde Caixa.
A advogada Meilliane Vilar Lima abordou as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a reconhecer oficialmente os riscos psicossociais como fator de adoecimento relacionado ao trabalho. Metas abusivas, assédio moral, jornadas excessivas, conflitos interpessoais e falta de autonomia foram apontados como fatores que as empresas agora são obrigadas a identificar e combater.
Encerrando o debate, a pesquisadora Larissa Matos alertou para o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no setor bancário. Segundo ela, a intensificação do trabalho, a hiperconectividade, os sistemas de monitoramento digital e a pressão permanente por resultados têm contribuído para o aumento do sofrimento psíquico entre os trabalhadores.
Outro tema de destaque foi a remuneração variável e seus impactos sobre as condições de trabalho. A economista Catia Uehara, da Rede Bancários do Dieese, ressaltou a diferença entre a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), conquista histórica da categoria bancária, e os programas de remuneração variável criados pelas empresas. Já o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, alertou que a associação entre metas cada vez mais elevadas, avaliações permanentes e mecanismos de vigilância intensifica a pressão sobre os trabalhadores e favorece o adoecimento.
O diretor de Saúde e Previdência da Fenae, Leonardo Quadros, destacou que qualquer programa de remuneração deve reconhecer de forma justa a contribuição dos empregados para os resultados da Caixa, defendendo critérios transparentes e valorização do trabalho coletivo.
O congresso também abriu espaço para o debate sobre neurodiversidade, em alusão ao Dia Nacional do Orgulho Autista. Representando o Coletivo Caixa Autista, Charles Lima e Larissa Argenta defenderam a adoção de medidas concretas para garantir inclusão, acessibilidade e respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ambiente de trabalho. Entre as reivindicações apresentadas estão adaptações razoáveis, combate ao capacitismo, prevenção do adoecimento mental e capacitação de gestores.
Encerrando a programação, os participantes prestaram homenagens a militantes históricos da luta dos trabalhadores, entre eles o dirigente sindical Daniel Machado Gaio, lembrado por sua trajetória de defesa dos direitos sociais, da organização coletiva e dos empregados da Caixa.
Os debates reforçaram que a defesa do Saúde Caixa, a promoção da saúde mental, a valorização dos empregados e a construção de ambientes de trabalho inclusivos permanecem entre as principais prioridades da categoria e do movimento sindical bancário.
SEEB/SE no debate sobre saúde e condições de trabalho no Conecef
O diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Sergipe, empregado da Caixa Econômica Federal e membro suplente da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Marcelo de Oliveira, participou da coordenação do grupo de discussão sobre Saúde e Condições de Trabalho durante o 41º Conecef.
O grupo debateu mais de 70 propostas construídas nas conferências regionais realizadas em todo o país. Segundo Marcelo, as discussões reforçaram a preocupação da categoria com o crescente impacto da organização do trabalho sobre a saúde dos empregados. “A saúde dos trabalhadores está diretamente relacionada às condições de trabalho oferecidas pela instituição. Na Caixa, fatores como a elevada carga de trabalho, a pressão por metas e o atendimento permanente ao público impactam diretamente o bem-estar físico e mental dos empregados”, destacou.
As propostas aprovadas pelos grupos de trabalho serão encaminhadas para deliberação da plenária final do congresso e servirão de base para a atuação da representação dos empregados nas negociações com o banco ao longo do próximo período.