Notícias
41º Conecef destaca inclusão de pessoas autistas e homenageia companheiros que marcaram a luta dos empregados da Caixa
Debate sobre neurodiversidade reforçou a necessidade de inclusão efetiva na Caixa; congresso também prestou homenagem a dirigentes e militantes que deixaram legado na defesa da classe trabalhadora
O 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) abriu espaço, nessa quinta-feira (18), para um momento de reflexão, inclusão e memória. Na mesma data em que é celebrado o Dia Nacional do Orgulho Autista, os delegados e delegadas acompanharam um debate sobre os desafios enfrentados por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Caixa Econômica Federal e, na sequência, prestaram homenagem a companheiros que dedicaram suas vidas à luta em defesa dos direitos dos trabalhadores.
Instituído pela Lei nº 15.365/2026, o Dia Nacional do Orgulho Autista busca celebrar a neurodiversidade, combater preconceitos e promover o respeito à identidade das pessoas autistas. Diferentemente do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, a data tem como foco o reconhecimento e a valorização das pessoas autistas em todos os espaços da sociedade.
No Conecef, o tema foi apresentado por integrantes do Coletivo Caixa Autista. A mesa contou com a participação de Larissa Argenta e de Charles Lima, empregado da Caixa, delegado eleito pelo Pará e um dos coordenadores gerais do coletivo.
Autista nível 2, pai de uma criança autista também nível 2 e empregado da Caixa há 12 anos, Charles relatou as dificuldades enfrentadas por trabalhadores neurodivergentes dentro da empresa e defendeu a adoção de medidas concretas para garantir inclusão e acessibilidade no ambiente de trabalho.
“Como pessoa autista e pai de uma criança autista também nível 2, conheço de perto as dificuldades enfrentadas por colegas que muitas vezes trabalham sob intensa pressão, sem adaptações adequadas, sem acolhimento institucional e, frequentemente, sem sequer revelar seus diagnósticos por medo de preconceito, descomissionamento ou retaliações”, afirmou.
Durante sua intervenção, Charles destacou que a invisibilidade da deficiência frequentemente dificulta o reconhecimento dos direitos das pessoas autistas. “Estamos falando de condições para que os autistas possam desenvolver seu potencial profissional em igualdade de oportunidades. O autismo é uma deficiência que não vemos, mas quem convive com ela sofre diariamente as consequências da falta de compreensão e do preconceito”, ressaltou.
Ele também defendeu o reconhecimento das pessoas autistas como pessoas com deficiência, a implementação de adaptações razoáveis no ambiente de trabalho, o combate ao capacitismo e ao assédio moral, a prevenção do adoecimento mental e a capacitação de gestores para promover uma cultura efetivamente inclusiva.
Segundo Charles, a pauta da neurodiversidade precisa integrar de forma permanente a agenda de negociações dos trabalhadores com a Caixa. “A Caixa, por sua função social, deve ser referência em inclusão, promovendo acessibilidade, respeito às diferenças e igualdade de oportunidades para todos os trabalhadores. Nada sobre nós sem nós”, concluiu.
FONTE: Portal da Contraf