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Negociação sobre saúde acontece sob clima de ameaças
Adilson Azevedo participou dos debates, nos quais a Fenaban ameaçou retirar cláusulas de saúde e se recusou a discutir os altos índices de adoecimento na categoria bancária. Comando Nacional reforça a defesa da mesa única
Ameaças à manutenção da mesa única e às cláusulas de saúde, além da recusa em discutir saídas para o endividamento da categoria: esse foi o resumo da postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (21), durante a quarta rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), Adilson Azevedo, participou dessa rodada e, no próprio dia 21/07, manifestou preocupação nas redes sociais, convocando a categoria a se manter mobilizada. Durante a reunião, Adilson Azevedo estava ao lado da presidenta da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (FEEB Base), Andrea Sabino. As lideranças do Comando Nacional destacaram que a mesa única protege tanto os trabalhadores de bancos públicos quanto os de bancos privados, e pontuaram que é exatamente por isso que os bancos buscam promover a divisão da categoria.
A coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira, afirmou que o encontro foi muito ruim e estagnou devido à falta de disposição da Fenaban. “A negociação não andou porque a Fenaban não quis negociar. Iniciou o encontro ameaçando a manutenção da mesa única, com a tentativa de separar os bancos públicos dos privados. Nós não aceitaremos isso em hipótese alguma”, destacou Juvandia. “A mesa única protege tanto os trabalhadores de bancos públicos quanto os de bancos privados, e é por isso que eles querem promover a divisão.”
A dirigente ressaltou que, graças à unidade histórica, a categoria foi capaz de se proteger dos ataques aos direitos ocorridos nos governos Temer e Bolsonaro. “Anos antes desse período, no governo Fernando Henrique, não existia a mesa única. Naquela época, os bancos públicos negociaavam em separado, amargando anos de reajuste zero e ataques aos direitos”, relembrou. “No governo Lula, conquistamos a mesa única, que foi importante para proteger os bancários nos governos Temer e Bolsonaro, quando as estatais foram atacadas e ocorreram reformas que impactaram todos os trabalhadores”, pontuou a coordenadora.
Essa proposta de desmembrar a mesa única partiu do negociador da Fenaban, Adauto Duarte, que foi questionado, inclusive, pelos representantes dos bancos públicos presentes no encontro.
Endividamento da categoria
Na mesa de hoje, a Fenaban também trouxe a devolutiva sobre a proposta feita pelo Comando Nacional na reunião anterior, que pedia um programa de juros baixos para ajudar os bancários a saírem das dívidas.
“Para justificar a negativa a este pedido, a Fenaban apresentou dados que não convenceram ninguém. Nós sabemos que, entre os cinco maiores bancos, existem taxas diferenciadas e eles poderiam adotar as menores dessas taxas para todos na categoria”, apontou Juvandia Moreira.
“Enfrentar o endividamento também é uma medida de promoção da saúde. A pressão financeira se soma às exigências do ambiente de trabalho, agravando o estresse e ampliando os impactos sobre a saúde física e mental dos bancários”, completou Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional.
A única proposta apresentada pela Fenaban para a redução do endividamento foi encerrar logo a campanha nacional e adiantar o pagamento da PLR.
“Só que terminar a campanha depende dos bancos apresentarem uma boa proposta”, arrematou Juvandia Moreira.
Saúde e condições de trabalho
Sobre a pauta da saúde, o movimento sindical destacou que, em 2024, a categoria bancária representou 25% do total de afastamentos acidentários por doença mental registrados pelo INSS. Os transtornos mentais são, inclusive, responsáveis por mais da metade dos afastamentos na categoria, conforme o quadro abaixo:
[Inserir Imagem/Quadro: Adoecimento]
“A Consulta Nacional dos Bancários 2026, realizada com quase 55 mil trabalhadores, confirma os dados do INSS e a preocupação do Comando em relação à saúde”, destacou Mauro Salles, secretário de Saúde da Contraf-CUT.
No levantamento, realizado entre abril e maio deste ano, 40% dos entrevistados afirmaram ter utilizado medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes) no último ano.
Na pergunta "quais impactos a cobrança excessiva pelo cumprimento de metas causa à sua saúde?", com opção de escolha múltipla, as principais respostas foram:
67% afirmaram ter preocupação constante com o trabalho;
59% responderam que os impactos são cansaço e fadiga constante;
47% apontaram desmotivação e vontade de não ir trabalhar;
42% sofrem com crises de ansiedade/pânico;
39% têm dificuldade para dormir, mesmo aos finais de semana;
24% relataram medo de "estourar" e perder a cabeça.
“Para enfrentar esse cenário, o Comando Nacional dos Bancários quer discutir, entre outros pontos, a implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), com o mapeamento dos riscos psicossociais e o acesso às informações de saúde da categoria”, destacou Mauro Salles.
A seguir, veja o resumo das reivindicações da categoria relacionadas à saúde:
Fim das metas abusivas.
Combate ao assédio moral, organizacional e algorítmico.
Limites à vigilância digital e ao controle por algoritmos.
Serviços médicos que acolham os trabalhadores adoecidos.
Nenhuma perda de remuneração durante o adoecimento.
Prevenção de riscos psicossociais — implementação da NR-1 e da NR-17.
"Existe o reconhecimento da academia e de órgãos oficiais — entre os quais a OIT, OMS, Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho — do nexo causal entre metas abusivas e o adoecimento dos trabalhadores", reforçou Mauro Salles. "Portanto, a responsabilidade pelo adoecimento não pode ser atribuída ao trabalhador quando os fatores de risco decorrem da forma como o trabalho é organizado", arrematou.
Fechamento da mesa
“Após a apresentação dos dados pelo Comando, a Fenaban travou a mesa, criando falsas polêmicas e ameaçando retirar todas as cláusulas de saúde já conquistadas na CCT. Nós, do Comando, reiteramos que a pauta da saúde é fundamental. Não vamos concluir a negociação sem discutir esse tema. E a mesa única é o lugar onde ele deve ser tratado”, destacou Juvandia Moreira.
Após mais um pedido de intervalo, a Fenaban concordou em continuar a negociação de saúde na próxima mesa, agendada para o dia 30 de julho.
Dia Nacional de luta e mobilização
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários aprovou a realização de um Dia Nacional de Luta e Mobilização em 28 de julho, para reforçar as reivindicações da campanha nas bases de todo o país.