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“Ninguém larga a mão de ninguém”: Bancários da Caixa em Sergipe mantêm greve e realizam novo ato no centro de Aracaju

Com quase 69% dos votos pela rejeição da proposta, categoria completa 12 dias de paralisação e exige avanços reais do banco

 

No 13º dia de paralisação, o Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) reuniu os empregados da Caixa Econômica Federal em frente à agência localizada na Praça Fausto Cardoso, no centro de Aracaju, nesta terça-feira (22). A mobilização ocorreu após os trabalhadores rejeitarem, pela terceira vez em assembleia virtual realizada nesta segunda-feira (21), a proposta do banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

 

A rejeição reflete a tendência nacional. Até o momento, 102 bases sindicais em todo o país, incluindo praças de grande porte como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, comunicaram a rejeição da proposta e a manutenção da greve. Apenas 30 bases aprovaram o texto. A decisão coletiva já foi informada à Caixa e ao Comando Nacional dos Bancários, e o movimento grevista aguarda o agendamento de novas tratativas.

Em Sergipe, a votação na assembleia virtual registrou a vitória expressiva do movimento: 68,84% dos trabalhadores votaram pela rejeição e continuidade da greve, enquanto 30,14% aprovaram a proposta e 1,02% se abstiveram.

Durante o ato desta terça-feira, o presidente do SEEB/SE, Adilson Azevedo, e o secretário de Comunicação, Marcelo Oliveira, avaliaram que a decisão da base demonstra consciência e firmeza. Segundo as lideranças, embora a mobilização tenha sido decisiva para forçar o banco a reabrir a mesa e apresentar avanços, os termos finais oferecidos pela empresa ainda são insuficientes para o encerramento do movimento.

Ao lado de representações das entidades parceiras, como a APCEF/SE, dirigentes sindicais reforçaram que a principal trava para o acordo segue sendo a falta de uma solução estrutural definitiva para o Saúde Caixa. A proposta atual não restabelece o modelo de custeio 70/30 e prevê, a partir de 2027, o aumento da contribuição do titular para 3,7% da remuneração-base e a dos dependentes diretos para R$ 560. Além disso, o banco não resolveu a questão dos empregados admitidos após setembro de 2018, mantendo a discriminação quanto ao direito de permanecerem no plano na aposentadoria com a coparticipação da Caixa.

*Conquistas da greve e pendências centrais*

As lideranças lembraram que os avanços alcançados até o momento foram frutos exclusivos da força da paralisação. Entre eles, destacam-se a elevação do limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, de 6,5% para 9% da folha de pagamento, e a manutenção do pacto intergeracional, que impediu a cobrança de mensalidades por faixa etária e preservou o princípio da solidariedade entre ativos e aposentados.

Outro ponto determinante para o "não" da categoria foi a recusa do banco em abonar os dias parados. A instituição propôs a compensação de horas em até 180 dias, enquanto a categoria exige o abono integral dos dias de uma paralisação legítima, sem reflexos funcionais. Pendências históricas sobre carreira, condições de trabalho e organização da jornada de trabalho também continuam sem respostas adequadas.

Adilson Azevedo reafirmou o compromisso do Sindicato em Sergipe em respaldar a decisão soberana da base: “Seguimos apoiando de forma irrestrita os colegas da Caixa e acompanhando os próximos passos do movimento nacional da categoria na busca pelo retorno do banco à mesa de negociação”, concluiu o presidente.

Por Déa Jacobina ASCOM do SEEB/SE