Notícias
SEEB/SE prestigia posse da diretoria da Contraf para o mandato 2026/2027
O presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, Adilson Azevedo, participa da primeira reunião executiva preparatória sobre negociação permanente, dirigida pela presidenta reeleita da Confederação, Juvandia Moreira
A nova diretoria da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), eleita para o mandato 2026/2027, tomou posse oficial nesta terça-feira (14). A cerimônia ocorreu em Brasília, na sede da Apcef/DF, reunindo lideranças de todo o país.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE), Adilson Azevedo, não apenas prestigiou a solenidade de posse, como também integrou a primeira reunião executiva da nova gestão, conduzida pela presidenta reeleita, Juvandia Moreira. O encontro serviu como etapa preparatória para a mesa de negociação permanente sob o tema: “Novas Tecnologias, como a IA, e a Atividade Bancária”.
Primeira reunião executiva foca nos impactos da IA
Logo após a posse, os trabalhos foram iniciados com a reunião preparatória para a mesa com a Fenaban, que ocorre nesta quinta-feira (16). Com o suporte técnico de Vivian Machado, economista do Dieese, o grupo debateu como a Inteligência Artificial e a digitalização afetam o emprego e a segurança no Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Sobre o avanço da Inteligência Artificial, Adilson Azevedo alerta que o desafio agora é de outra ordem, pois a tecnologia atinge diretamente o trabalho intelectual, e não apenas as tarefas manuais. “A questão é urgente: não se trata de ser contra o progresso, mas a IA não pode servir apenas para extinguir postos de trabalho e concentrar riqueza nas mãos de poucos acionistas”, afirma. Para o dirigente, é fundamental que o salto de produtividade tecnológico se reverta em benefícios reais para a categoria, seja através de salários melhores ou da redução da jornada. “Se a máquina vai produzir mais, o trabalhador precisa ser incluído nesse ganho. Precisamos de uma 'Transição Justa Digital' que garanta dignidade e soberania, impedindo que a inovação resulte em desemprego e sobrecarga”, defende Azevedo.
Dados apresentados revelam um cenário desafiador:
Digitalização: Embora 75% das transações sejam via celular, os canais físicos ainda processam 3,6 bilhões de operações anuais (14 milhões por dia).
Exclusão Digital: Cerca de 42 milhões de adultos no Brasil não utilizam internet para serviços bancários, e 30% dos idosos não possuem acesso digital.
Insegurança: Estima-se que golpes digitais possam gerar perdas de R$ 11 bilhões até 2028.
O Impacto no Emprego e na Saúde do Trabalhador
A análise do Dieese apontou que, entre 2013 e 2025, o setor de TI nos bancos cresceu de 2,7% para 14%. No entanto, esse avanço resultou em uma redução da presença feminina. Em 2025, das 8,9 mil vagas fechadas no setor bancário, 5.667 eram ocupadas por mulheres.
A economista Vivian Machado alertou que a automação não facilitou o trabalho, mas o tornou mais intenso:
“A IA aumentou o número de operações, mas gerou trabalhadores sobrecarregados e multitarefas. O resultado é o crescimento de casos de fadiga mental, burnout e queda na qualidade das decisões.”
Desafios da Negociação Permanente
Graças à renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em 2024, o movimento sindical garantiu cláusulas para a qualificação profissional em novas tecnologias e a instalação desta mesa permanente.
Para Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional, a regulação é urgente: “Sem controle, o avanço tecnológico aprofunda a precarização e a exclusão. Lutamos para que os ganhos da tecnologia sejam compartilhados com a sociedade e não apenas concentrem renda”.
O debate sobre o uso ético das tecnologias para monitoramento do trabalhador será um dos pontos centrais da rodada de negociações desta quinta-feira (16), em Brasília, com participação ativa das lideranças bancárias.
Sobre o debate relativo à Inteligência Artificial, Adilson Azevedo afirma que diferente de ciclos anteriores de automação, “a IA promove uma ruptura estrutural ao substituir não apenas tarefas manuais, mas o trabalho cognitivo. Os especialistas estão alertando que estamos diante de um "substituto geral" que redefine a produção, a gestão e o controle do trabalho. O que significa dizer que para nós é algo urgente. Não se trata de tecnofobia, mas de intervir para que a tecnologia não aprofunde desigualdades. Se a IA promete ganhos de produtividade e crescimento do PIB, o risco real é de um "crescimento sem trabalho", onde a riqueza gerada por sistemas autônomos seja apropriada por poucas empresas e acionistas, resultando em precarização e desemprego tecnológico. É imperativo atualizar o conceito de Trabalho Decente. A subordinação algorítmica e a fragmentação das tarefas exigem uma "Transição Justa Digital", similar à defendida na COP 30 para o clima. Isso inclui soberania tecnológica, transparência nos algoritmos e a garantia de que os ganhos de produtividade sejam compartilhados com a classe trabalhadora por meio da redução da jornada e melhores salários.
Por ASCOM do SEEB/SE com Fonte do Portal da Contraf