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Caixa: 85,26% rejeitam nova proposta e greve continua em Sergipe

 

Em assembleia realizada nesta sexta-feira (11), os empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal em Sergipe rejeitaram a nova proposta apresentada pelo banco. A votação virtual, realizada das 16h às 23h, foi antecedida por uma plenária, na qual os bancários e bancárias puderam conhecer os termos da proposta, esclarecer dúvidas e debater os próximos passos do movimento.

Do total de participantes, 85,26% votaram pela rejeição e continuidade da greve, enquanto 13,14% aprovaram a proposta e 1,60% se abstiveram.

Greve chega ao segundo dia em Sergipe

A greve dos empregados e empregadas da Caixa em Sergipe chegou ao seu segundo dia, com concentrações diárias em frente à Agência Serigy. Durante as mobilizações, dirigentes sindicais realizam conversas presenciais e virtuais com os empregados que ainda não aderiram à paralisação, destacando a importância da participação efetiva no movimento.

Para o Sindicato, a mobilização não pode se limitar à manifestação nas redes sociais ou à participação nas assembleias. A força da greve depende da adesão concreta dos trabalhadores e da efetiva paralisação das atividades.

Sigo acompanhando de perto as negociações específicas com a Caixa. A proposta, infelizmente, segue quebrando o pacto intergeracional do Saúde Caixa. Falta um cronograma claro para o retorno à divisão de custeio 70/30 e não temos definição sobre o tratamento jurídico e financeiro dos dias de paralisação. Ou seja, ainda não temos a valorização e os avanços que tanto desejamos e que nos levaram a parar”, destaca o diretor do Sindicato dos Bancários de Sergipe e membro suplente da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, Marcelo de Oliveira.

Saúde Caixa continua sendo o principal ponto de impasse

Para o Sindicato, o ponto de maior vulnerabilidade da proposta é a introdução do custeio do Saúde Caixa por faixas etárias, mudança que representa uma ruptura com a lógica de autogestão solidária defendida pelos trabalhadores.

Entre os pontos apresentados pela Caixa está a antecipação da parte patronal da 13ª mensalidade dos anos de 2028, 2029 e 2030, destinada à cobertura integral do déficit de 2026.

A proposta prevê ainda a implantação, a partir de janeiro de 2027, do novo modelo de custeio, além do pagamento dos valores relativos ao PAMS, com retroatividade a 2021.

Outro compromisso apresentado é o aumento da participação da Caixa no custeio do plano, de 6,5% para 8%, que deverá constar na cláusula do acordo.

Também estão previstos grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano, a possibilidade de uma terceira fonte de receita e a criação de um modelo que destine ao Saúde Caixa parte do lucro relacionado ao aumento de produtividade.

A Caixa ainda propõe ações de prevenção à saúde no valor de R$ 236 milhões a partir de janeiro de 2027.

Proposta teve prazo até esta sexta-feira

A proposta apresentada pela Caixa tem validade até esta sexta-feira (11). O banco informou que, caso os termos não sejam aprovados pela categoria dentro do prazo, retirará a proposta e ingressará com dissídio coletivo.

Nesse cenário, as questões que hoje estão sendo discutidas entre trabalhadores e banco deixariam de ser definidas pela negociação direta e passariam a ser submetidas à decisão judicial.

Pagamentos e prêmio de R$ 3 mil

A Caixa informou que, caso a proposta fosse aprovada, realizaria em 18 de setembro de 2026 o pagamento do salário reajustado, da PLR, do Super CAIXA e do prêmio previsto no acordo.

O prêmio de R$ 3 mil por empregado está relacionado ao atingimento do Índice de Eficiência Operacional (IEO), alcançado em junho de 2026.

Outros pontos negociados

A proposta mantém cláusulas negociadas ao longo das mesas de 2026, incluindo medidas relacionadas à diversidade, como censo, equidade de gênero, comissões, combate à discriminação e acessibilidade para pessoas com deficiência.

A Caixa também retirou o Alcance.Caixa dos critérios de promoção e concordou com o pagamento dos deltas referentes aos anos-base de 2026 e 2027 já em janeiro dos anos subsequentes.

Na área de saúde integral, está prevista a manutenção do Programa Linha de Cuidado, além do enquadramento dos empregados PCD conforme a legislação e da avaliação das condições de trabalho, com possibilidade de redução da jornada em até 25%, trabalho remoto e outras formas de flexibilização.

Também estão entre os itens negociados a flexibilização das ausências permitidas, o abono de férias independentemente do período de descanso e a criação do Grupo de Trabalho Trajetória, para discutir temas como PFG, PCS, PSI e remuneração variável.

Na área de atendimento, a proposta prevê a suspensão, até 31 de dezembro, da penalização relacionada ao alcance de metas no sistema Genesys/Figital, além do aumento do tempo para continuidade do atendimento, de cinco para dez minutos.

Outro ponto é a possibilidade de adiantamento salarial durante licença-saúde, de forma opcional, com postergação da devolução durante eventual recurso junto ao INSS.

Mobilização continua

Com a rejeição da proposta, a mobilização dos empregados da Caixa continua em Sergipe. O Sindicato reforça que seguirá acompanhando as negociações e atuando para defender os interesses dos trabalhadores.